Notícias - Pedra Natural Portuguesa chega a 132 países e entra nas grandes obras do mundo
27/08/26
Pedra Natural Portuguesa chega a 132 países e entra nas grandes obras do mundo
Portugal é já o sétimo maior exportador mundial de pedra natural e vende para mais de 132 países. Na abertura da IV Conferência Internacional "Portuguese Stone – The Natural Path”, Francelina Pinto, Diretora Geral da ANIET, apresentou uma indústria que quer ser reconhecida não apenas pela qualidade da matéria-prima, mas pela tecnologia, capacidade de transformação e participação em projetos de arquitetura de referência internacional.
A Pedra Natural Portuguesa está hoje presente em mais de 132 países,
integra edifícios projetados por alguns dos mais reconhecidos arquitetos
internacionais e coloca Portugal entre os dez maiores exportadores mundiais do
setor. Foi a partir desta dimensão internacional que Francelina Pinto, deu as boas-vindas aos participantes da IV Conferência
Internacional "Portuguese Stone – The Natural Path", realizada no
Porto.
Mais do que apresentar a Associação, Francelina Pinto traçou um retrato da
indústria que a ANIET representa: uma fileira com raízes profundas no
território e no conhecimento acumulado ao longo de gerações, mas
simultaneamente tecnologicamente evoluída, exportadora e capaz de acompanhar um
projeto desde a extração da pedra até à sua aplicação em obra.
"Portugal é um país pequeno, mas conquistou uma posição muito
relevante no mercado mundial da pedra natural. Estarmos entre os maiores
exportadores e chegarmos a mais de 132 países demonstra a capacidade e a
competitividade das nossas empresas", sublinhou.
Os números apresentados sustentam essa afirmação. Portugal surge na sétima posição entre os dez maiores exportadores mundiais de pedra natural em 2025, atrás da China, Itália, Turquia, Índia, Brasil e Espanha. E o mapa das exportações praticamente cobre o planeta: "We export to more than 132 countries", destacava um dos diapositivos apresentados pela diretora-geral da ANIET.
Exportar mais valor, não apenas toneladas
A força exportadora é uma das marcas do setor, mas os dados dos últimos anos revelam também uma transformação que merece atenção: Portugal está a exportar menos toneladas do que no início da década, mas cada tonelada de pedra portuguesa representa hoje mais valor.
Em 2021, as exportações rondaram os 435 milhões de euros, para um volume
ligeiramente superior a dois milhões de toneladas. Em 2022, o valor atingiu um
máximo próximo dos 492 milhões de euros. Depois desse pico verificou-se uma
correção, até aos 470,1 milhões de euros em 2024, enquanto o volume desceu para
1,76 milhões de toneladas.
A evolução mais significativa encontra-se, porém, no valor unitário: de
cerca de 200 euros por tonelada em 2021 para 267,80 euros em 2024, um aumento
de aproximadamente um terço. Mais do que uma simples alteração estatística,
esta evolução aponta para a crescente importância da transformação, dos
acabamentos, do design e das soluções de maior valor acrescentado.
"O futuro do setor não passa necessariamente por exportarmos cada
vez mais toneladas. Passa por acrescentarmos cada vez mais valor à pedra que exportamos,
através da transformação, da tecnologia, do acabamento e do serviço que
conseguimos prestar aos nossos clientes", salientou Francelina Pinto.
É uma distinção importante. Um bloco extraído de uma pedreira e uma peça de
pedra cortada, dimensionada, acabada e preparada para uma solução arquitetónica
específica pertencem à mesma matéria-prima, mas incorporam níveis muito
diferentes de conhecimento, trabalho industrial e valor económico.
Os próprios dados setoriais distinguem o material pouco transformado da
pedra cortada e acabada destinada a revestimentos, pavimentos, cantaria e peças
especiais, segmentos onde a incorporação industrial e o valor unitário tendem a
ser superiores.
Da pedreira à obra
Foi precisamente essa evolução que Francelina Pinto procurou tornar visível
durante a sua apresentação. Num dos diapositivos, a indústria portuguesa é
definida como "a technologically advanced sector with safety,
environmental, economic and social responsibility" – um setor
tecnologicamente avançado, comprometido simultaneamente com a segurança e com
responsabilidades ambientais, económicas e sociais.
A mensagem seguinte alterava, porém, a perspetiva tradicional sobre aquilo
que uma empresa de pedra pode oferecer: "We team up and engage in your
project". Ou seja: não se trata apenas de fornecer um material. "Já
não podemos olhar para esta indústria apenas como uma indústria de extração.
Temos empresas tecnologicamente muito avançadas, capazes de transformar,
acabar, executar e acompanhar projetos cada vez mais exigentes",
afirmou a diretora-geral da ANIET.
A sequência apresentada mostrou essa cadeia de valor quase passo a passo: a
pedra sai das pedreiras das próprias empresas, é cortada, ganha forma, recebe o
acabamento necessário e pode chegar à obra acompanhada pelas equipas
responsáveis pela sua produção. A mensagem culminou numa afirmação particularmente reveladora: "We
can even be a part of the construction team".
É nesta capacidade de colaborar com arquitetos, engenheiros, projetistas e
construtores que Francelina Pinto vê uma parte importante da diferenciação
portuguesa. "A nossa ambição não é simplesmente fornecer pedra.
Queremos compreender o projeto, trabalhar com quem o está a desenvolver e
encontrar a solução que melhor responda à intenção do arquiteto e às exigências
técnicas da obra", referiu.
Para as empresas, esta evolução significa competir num terreno bastante
diferente daquele em que apenas o preço da matéria-prima determina a escolha do
fornecedor. Significa vender capacidade técnica, conhecimento do material,
precisão, acabamento e acompanhamento do projeto.
Um país com pedra para múltiplas arquiteturas
A diversidade geológica portuguesa constitui outro dos argumentos
competitivos apresentados pela diretora-geral da ANIET na sua palestra. O mapa exibido
durante a sessão evidenciou a distribuição de diferentes famílias de pedra pelo
território: granitos e ardósias no Norte, calcários na região Centro, mármores
a Sul e basaltos nos Açores.
A apresentação aprofundou depois essa diversidade através de dezenas de
exemplos. Nos granitos surgiram designações como Gabro de Odivelas, Cinza
Alpalhão, Rosa Monforte, Rosa Monção e Amarelo Vila Real; nos calcários, Moca
Creme, Vidraço de Ataíja, Creme Fátima ou Azul Moleanos.
Nos mármores, Francelina Pinto apresentou variedades como Rosa Portugal,
Pele de Tigre e Ruivina Escuro; nos xistos e ardósias, materiais provenientes
de diferentes regiões do país, entre os quais Ardósia do Marão, Xisto Negro de
Foz Côa, Xisto de Mourão ou Ardósia de Valongo.
"Poucos países conseguem oferecer, num território relativamente
pequeno", exaltou, "uma diversidade tão grande de pedra natural.
Temos materiais, cores, texturas e características que permitem responder a
linguagens arquitetónicas e utilizações muito diferentes", disse.
A melhor demonstração dessa versatilidade chegou, no entanto, na segunda metade da apresentação, quando os mapas e amostras deram lugar às obras.
Pedra portuguesa na arquitetura mundial
"Portuguese Stone Around the World" foi a expressão escolhida pela ANIET para introduzir alguns dos resultados alcançados pelo setor. A mensagem projetada era clara: nos últimos anos, a Pedra Natural Portuguesa integrou projetos de arquitetura e edifícios distinguidos com alguns dos mais prestigiados prémios nacionais e internacionais. E, guiados pela mão segura de Francelina Pinto, os circunstantes empreenderam uma viagem por diferentes países, arquitetos, materiais e aplicações.
Em Paris, a pedra portuguesa surge numa das obras mais reconhecíveis da arquitetura contemporânea europeia. Na Filarmónica de Paris, projetada por Jean Nouvel, o granito português foi utilizado na envolvente do edifício, formando cerca de 80 mil elementos em forma de aves. "Quando vemos 80 mil elementos em granito português num edifício como a Filarmónica de Paris, percebemos até onde pode chegar a capacidade técnica das nossas empresas quando encontra a criatividade de um grande arquiteto", observou Francelina Pinto.
Na Bélgica, o granito português chegou à Kieldrecht Lock, apresentada na Conferência como a maior eclusa do mundo – aqui não como elemento meramente decorativo, mas numa aplicação estrutural. Ainda na Bélgica, o Le Toison d'Or, projeto do UNStudio, utilizou granito na fachada e recebeu uma menção honrosa na área do design arquitetónico.
Em França, o mármore português integrou o interior e os pavimentos da igreja Saint-Jacques de La Lande, projetada por Álvaro Siza Vieira e associada ao EU Mies Award 2019.
E a geografia continuou a alargar-se.
Na Jameson House, do atelier Foster + Partners, no Canadá, o calcário português foi aplicado em revestimentos exteriores e pavimentos. No Dubai, o mesmo tipo de pedra chegou aos interiores do Jumeirah Al Qasr. "Estas obras mostram que não estamos apenas a exportar pedra. Estamos a exportar conhecimento, capacidade de transformação, rigor e soluções técnicas portuguesas", sintetizou a diretora-geral da ANIET.
Portugal também é montra da sua própria pedra
Nem todas as referências ficaram fora de portas. Em Portugal, Francelina Pinto destacou o MAAT, em Lisboa, projetado por Amanda Levete, onde o calcário está presente no revestimento exterior e no pavimento; a sede da EDP, de Aires Mateus, com aplicação de mármore no interior; o Douro 41 Hotel, onde o xisto cobre a fachada; e o Altice Data Center, de Carrilho da Graça, também com utilização de xisto. As Tree Houses, de Luís Rebelo de Andrade, completaram este percurso, mostrando o xisto num contexto totalmente diferente e numa obra distinguida pelo ArchDaily.
São exemplos que demonstram, sobretudo, que a utilização contemporânea da pedra não está presa a uma determinada linguagem arquitetónica. Mármore, granito, calcário ou xisto podem surgir numa igreja, num museu, num hotel, numa infraestrutura industrial ou num edifício residencial.
Da arquitetura de autor à calçada do quotidiano
Francelina Pinto levou ainda a pedra para fora do universo das grandes obras de arquitetura. Na apresentação surgiu a calçada portuguesa, realizada em calcário e apresentada enquanto expressão cultural ligada ao território e à identidade nacional. Logo depois apareceram estações de metro e outros pavimentos em granito. A legenda escolhida pela ANIET poderia dificilmente ser mais simples: "Made to walk".
A pedra pode estar numa fachada assinada por um Pritzker, mas pode igualmente estar sob os pés de milhares de pessoas todos os dias. É precisamente essa diversidade de escalas e utilizações que ajuda a explicar porque é que a Pedra Natural Portuguesa chegou a tantos mercados.
Uma indústria antiga com grande futuro
Francelina Pinto concluiu a sua apresentação regressando às qualidades essenciais do próprio material. Num dos últimos diapositivos, a pedra natural era associada à dureza, resistência, capacidade de suporte, força, beleza e estilo. Noutro plano, surgia o valor de um conhecimento transmitido "de geração em geração". E, finalmente, uma definição que procurava resumir a longevidade do material: "The oldest and most durable building material of mankind" – o mais antigo e durável material de construção utilizado pela Humanidade.
Mas antiguidade não significa imobilismo. "Temos uma matéria-prima com milhões de anos e um conhecimento que passa de geração em geração, mas somos hoje uma indústria tecnologicamente avançada. É precisamente essa combinação entre tradição, conhecimento e inovação que temos de continuar a valorizar", afirmou Francelina Pinto.
A mensagem deixada na abertura da Conferência ficou, assim, muito para além das boas-vindas.
Portugal possui o recurso geológico, a diversidade de pedras e uma longa tradição de extração e transformação. Mas possui também empresas internacionalizadas, tecnologia, capacidade de acabamento, conhecimento técnico e experiência para trabalhar diretamente com alguns dos projetos mais exigentes do mercado mundial.
Os mais de 132 países alcançados pelas exportações mostram a dimensão dessa presença. As obras apresentadas nesta conferência mostram o que essa presença pode significar. Porque o verdadeiro desafio para a indústria portuguesa já não é apenas colocar pedra no mundo; é conseguir que, em cada projeto onde essa pedra seja aplicada, exista cada vez mais valor português.